quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Primeiro teste operacional da Locomotiva N° 220

Hoje, dia 30 de setembro de 2021 a Locomotiva de N° 220 que irá operar como trem turístico entre Miguel Pereira e Governador Portela foi acesa pela primeira vez pela equipe da AFPF - Associação Fluminense de Preservação Ferroviária que realizou alguns movimentos na linha em bitola métrica onde passou o último ano estática. 

Foi uma grande conquista para a preservação ferroviária colocar essa máquina centenária para funcionar nos trilhos da Linha Auxiliar pela primeira vez.

Coincidentemente o fato ocorreu no 60° aniversário de fundação da Rede Ferroviária Federal.

Os vídeos da Locomotiva produzindo vapor e dando seus "primeiros passos" estão na página do Blog Trem Da Serra Do Rio De Janeiro no Facebook: 

A seguir estão as fotos que mostram os principais momentos desse dia histórico.

No comando da operação da locomotiva estava o Sr. Moyses Naime que possui muita experiência com máquinas a vapor.

Estiveram presente também os senhores Adail Silveira e Carlos Assis, incansáveis membros da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária.

Por estar parada há algum tempo, foram feitos movimentos simples no trecho com cerca de 50 metros em bitola métrica.

Após tantos anos de silêncio, a formosa Maria Fumaça aqueceu os corações de quem rodeava a estação de Governador Portela.

Mesmo movimentos simples como ir para frente e para trás num curto trecho de linha, é uma grande vitória para entusiastas ferroviários.

Por enquanto não há certeza sobre a operação da Locomotiva 220 como trem turístico, mas o fato de começarem a movimentar essa linda vaporosa já indica que boas notícias estão por vir.


segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Campanha Vagão SteamPunk Trem Da Serra Do Rio De Janeiro

O Blog Trem Da Serra Do Rio De Janeiro foi criado com a intenção de ser um museu virtual para compartilhar imagens e histórias que eternizaram a existência das estradas de ferro que promoveram o desenvolvimento da região serrana do estado do RJ.

Com a possibilidade de revitalização do pátio de Governador Portela em 2015, um antigo vagão abandonado se revelou entre a vegetação e a ferrugem, despertando interesse do jovem Matheus Figueiredo idealizador do Blog e de um projeto para salvar aquele vagão rejeitado por todos.

O projeto aproveitaria as características únicas desse patrimônio para dar origem a um museu temático, levando a bordo incríveis histórias apresentadas sob um ponto de vista dinâmico, interativo e independente.

Na ausência de interessados locais em reivindicar o antigo vagão de aço, o projeto foi apresentado ao DNIT e a inventariança da RFFSA, que após identificar o material rodante se mostraram favoráveis ajudando a encaminhar o pedido de cessão a FCA/VI! que detinha propriedade do vagão. Finalmente em 2018 o Blog Trem Da Serra Do Rio De Janeiro sob comando de Matheus Figueiredo recebeu a cessão do vagão e uma procuração de plenos poderes para executar o projeto apresentado de forma que promovesse a cultura e a preservação ferroviária.

Por ser um projeto autônomo, foi criada uma loja virtual vinculada ao Blog com produtos exclusivos que terão o valor arrecadado revertido em recursos para promover a restauração do vagão e sua possível realocação.



Alguns de nossos produtos:

Modelos de camisas: Vagão SteamPunk; Viaduto Paulo De Frontin; Locomotiva 220; Automotriz RDC; Locomotiva 122.

Modelos de canecas: Logotipo Blog Trem Da Serra Do Rio De Janeiro (Vagão SteamPunk); Locomotiva Estrada De Ferro Melhoramentos Do Brasil; Locomotiva Estrada De Ferro Central Do Brasil.

Chaveiros: Couro Vagão SteamPunk; Couro Viaduto Paulo De Frontin; Couro Logomarca Vagão SteamPunk; Níquel Viaduto Paulo De Frontin.

Kit: Lata + Ecobag Vagão SteamPunk. 3 opções de cor: Verde; Vermelha; Amarela.


segunda-feira, 30 de agosto de 2021

A Eletrificação da Linha Tronco da R.M.V.

 A história da Linha Tronco da R.M.V. teve início quando um sub-ramal da Estrada de Ferro Oeste de Minas chegou a Ribeirão Vermelho - MG em 1888. Lá se estabeleceu um complexo ferroviário que serviu de eixo para o que seria a Linha Tronco dessa ferrovia. 

Sua construção se dividiu em duas frentes de trabalho onde a ponta sul alcançou o município de Angra Dos Reis - RJ em 1931, e a ponta norte chegou a Goiandira - GO em 1942. Tendo 1.125,701 quilômetros de extensão construídos em bitola métrica.

Em 1926 a ponta sul havia chegado a estação de Jussaral sob tutela do governo federal, nesse mesmo ano foi autorizada a eletrificação de 73 quilômetros entre as estações de Barra Mansa e Augusto Pestana.

A empresa britânica Metropolitan Vickers ficou responsável pela eletrificação da Linha Tronco e o fornecimento de equipamentos necessários na implantação desse novo sistema.

Uma usina hidrelétrica foi construída próxima a estação de Carlos Euler no km 169,454, juntamente com uma represa abastecida pela cachoeira dos Pilões, conduzindo a água por um aqueduto de 650 metros de extensão até as turbinas Escher Wyss Pelton para gerar 1.125 HP a 750 rpm. Foram construídas também duas subestações: em Glicério no km 121,000 e em Afra no km 141,411.


Em 1928 foi inaugurado o primeiro trecho eletrificado da Linha Tronco, transmitindo 1500 volts em corrente contínua alimentando um conjunto de tração composto por cinco locomotivas do tipo B+B (0-4+4-0) de 600 HP.

Em 1933 a Linha Tronco já sob administração da R.M.V. recebeu o financiamento para prover a eletrificação de mais 108,305 quilômetros no estado de Minas Gerais, entre as estações de Augusto Pestana e Mindurí (antiga Andradina).


Desta vez a empresa encarregada em construir mais três subestações para o fornecimento de energia para esses 108,305 quilômetros foi a alemã Siemens Schuckert que além de dar todo suporte elétrico e mecânico, acrescentou ao material rodante da ferrovia oito locomotivas fabricadas pela também alemã Schwarzkopf.


Após a conclusão dos trabalhos de eletrificação entre Augusto Pestana e Minduri, em 12 de setembro de 1936 houve a inauguração desse trecho onde se manteve os 1500 volts em corrente contínua. Pela primeira vez um trem tracionado por locomotivas elétricas percorreu todo trecho desde Barra Mansa até Minduri.

Nessa época já havia o interesse em expandir a eletrificação da linha até Angra Dos Reis chegando a reunir recursos para tal empreendimento inclusive a importação de material para as linhas de transmissão. 

Com os resultados obtidos nos estudos de viabilidade em 1937 foi constatado que pôr em prática esse projeto demandaria um alto investimento principalmente ao levar em conta as características dessa ferrovia localizada em um ponto da serra do mar onde foi necessário escavar vários túneis e usar curvas fechadas para superar áreas com grandes inclinações.

Sendo assim, os trechos da Linha Tronco: Angra Dos Reis - Lídice, e Minduri - Ribeirão Vermelho permaneceram utilizando apenas locomotivas a vapor devido o perfil da ferrovia e a inexistência de suporte elétrico nesses trechos.

Quando o Brasil entrou na guerra em 1942 muitos recursos deixaram de ser investidos em ferrovias fazendo com que a "tecnologia a vapor" ainda predominasse havendo apenas experimentos com locomotivas de todos os tamanhos e configurações em busca de melhorar o desempenho no transporte de pessoas e cargas. 


Em 1953 o projeto que previa a construção de mais uma hidrelétrica e uma subestação para alimentar o sistema elétrico no trecho entre Angra Dos Reis e Lídice foi alterado para que a energia fosse fornecida pela Companhia de Carris, Luz e Força do Rio De Janeiro (Light), e novamente não se obteve sucesso em levar a diante.

Além disso, o plano que previa a conversão do sistema elétrico de 1500 para 3000 volts com a intenção de atender o crescente fluxo de tráfego entre Barra Mansa e Minduri foi ignorado pela administração de Rede Mineira de Viação que preferiu investir seus recursos em outras necessidades da ferrovia.

Em 1957 Rede Mineira de Viação foi incorporada a Rede Ferroviária Federal R.F.F.S.A. numa tentativa de reestruturar o sistema ferroviário nacional. Pouco tempo depois começaram os estudos para a eletrificação dos 112,648 quilômetros de linha férrea que separavam Minduri (Andradina) de Ribeirão Vermelho.

Em meados de 1960 o trecho Minduri - Ribeirão Vermelho finalmente foi contemplado com a eletrificação da linha proveniente da subestação de Minduri que fornecia 3000 volts em corrente contínua, fator que impedia o tráfego direto entre as duas seções levando em conta que o trecho Lídice - Minduri ainda operava o sistema obsoleto de 1500 volts.

No complexo ferroviário de Ribeirão Vermelho havia uma harmonia entre diferentes tipos de trens, nota-se uma caixa d'água para abastecimento de locomotivas a vapor e uma catenária para sustentar a rede aérea que fornecia energia para as locomotiva elétricas, sendo possível operar de forma mista, com locomotivas a vapor, elétricas (de 1500 e 3000 volts), e também as recém adquiridas diesel elétricas EMD G12.


Quando a linha da R.M.V. se fundiu a E.F. Goiás e a E.F. Bahia Minas em 1971, foi integrada a Viação Férrea Centro-Oeste. Nessa época o trecho eletrificado com 1500 volts finalmente foi convertido para 3000 volts, unificando toda a linha elétrica utilizada pela Rede Mineira De Viação.

A tração elétrica ainda foi utilizada por mais uma década até ser substituída definitivamente pelas locomotivas diesel elétricas da Rede Ferroviária Federal. 

Observação: ao contrário das locomotivas elétricas, as resistentes máquinas a vapor se mantiveram razoavelmente preservadas, tendo como destino a utilização em trechos da Linha Tronco ou sendo transferidas para outras ferrovias de bitola métrica.